Dói, esquecermo-nos das pessoas, não dói? Não quando as tentamos esquecer, mas quando elas começam realmente a sair-nos da cabeça. Afinal de contas, há pessoas que passaram tanto tempo dentro de nós, que quando elas saem, é como se tivéssemos que reaprender a andar.
Não sei até que ponto somos capazes de nos mantermos ligados a uma pessoa que já se foi embora há muito tempo, mas sem dúvida que o sufuciente para que uma parte dela continue a ser nossa mesmo quando o resto já não é.
Então é por isso que dói, não é? Suponho que estou naquela fase em que te sinto a ser puxado para fora de mim como se fosses uma linha familiar entrelaçada nas minhas veias. Sinto alívio, liberdade e uma solidão imensa, e vejo agora a cor verdadeira dos meus erros, como se alguém os tivesse arrancado do passado e colocado à luz.
É desconfortável mas sabe bem. É estranho mas parece certo.
É como uma despedida que já aconteceu há muito tempo.

Essas são, ao mesmo tempo, as melhores e as piores despedidas... Porque levam uma parte que era nossa e porque nos libertam de um certo sufoco.
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