Isto dá cabo de mim. Como é que é possível alguém viver num país assim? Estar na rua e ver um tanque de guerra passar na estrada. Estar num café, ou numa escola, e entrar lá um grupo de homens armados e desatarem aos tiros? Como é que é possível existirem sítios no mundo onde isto não é considerado chocante? Estas coisas põe-me quase a chorar de raiva. Somos pessoas! Somos todos pessoas! Que mundo é este, em que se nasces com sorte estás bem, e se nasces num país pobre estás fodido? Ninguém pede para nascer. Ninguém que vive nestas situações fez nada para o merecer. E depois, quando eu digo isto às pessoas, elas encolhem os ombros. O meu pai diz que eu sou demasiado jovem e inocente, mas que merda? Sou demasiado jovem? É que não é nada assim que eu me sinto. O mundo é que está errado, e não me venham com tretas. As pessoas têm direitos. Isso não é uma ilusão, é o que tem que ser. A paz, o respeito, o direito à vida e à expressão. Onde é que estão essas coisas? O meu pai também me diz que estas coisas são demasiado complicadas e que é assim e vai ser assim até ao fim. Detesto ouvi-lo dizer isto. Ele diz que quando eu crescer vou deixar de pensar desta forma, mas isso é tudo o que eu não quero. Eu não quero nunca, nunca deixar de ter bem claras estas ideias. E chamem-me idealista, quero lá saber. Eu sei que falar é fácil e blá blá blá, mas quer dizer, ao menos falo. Não tenho poder para fazer nada de significativo para mudar isto, mas ao menos falo! E que se fale, caramba! Que se falem nas injustiças, nas guerras, nas pessoas que vivem aterrorizadas de levar um tiro na testa a qualquer momento, da discriminação, da pobreza, das crianças que não sabem o que é uma escola, das pessoas que morreram sem terem tido uma oportunidade de viver. Anda tudo adormecido, tudo a encolher os ombros. O meu pai diz que não vale a pena lutar, mas isso é porque ele tem uma casa onde dormir, com uma cama quentinha, e comida para comer quando chega a casa à noite cheio de fome. Mas é preciso lutar, sim. Somos feitos de quê, afinal?
Ainda que o meu pai tenha razão, e isto sejam os meus dezasseis anos a falar, e eu tenha a cabeça cheia de sonhos, eu sei que não sou a única a pensar assim. Sei que há muitas pessoas que trabalham por um mundo melhor todos os dias. E sei que eu vir para aqui escrever não vai mudar nada, mas estou irritada. Odeio isto. Odeio que gozem comigo quando eu defendo estas coisas. Eu sei muito bem o que digo. Vão ver que eu tenho razão. Não vamos acabar todos em guerra e destruídos. Não vamos. Não podemos.
Tens todo o direito de revoltar-te por causa disso. Mas por um lado, e nao quero ser pessimista, as vezes por mais que tentamos mudar o mundo, vai haver sempre gente que nunca vai contribuir para isso. Mudar o mundo nao depende so de nós mas sim de cada um de nós todos.
ResponderEliminarr: obrigada :)