
«Acordas, e a noite vai a meio. Não entendes o passar do tempo. Então dás voltas na cama e tentas inventar regras para um jogo que só podes jogar sozinha. Sentes a agonia subir-te à garganta, o estômago encolhido, a tremer, como se dentro dele existissem mil relógios desacertados. Tens mil mentiras escondidas na boca, mil ilusões que te dançam nos olhos, mil borboletas de enganos presas no cabelo e mil medos que não conheces. E a noite ainda só vai a meio. Tentas vomitar os sonhos que te atormentam e as escolhas que antes te pareceram certas, e tentas cuspir todas as palavras que ele te fez prometer, em nome de um amor de papel. E foram tantos cigarros queimados em segredo e tantos pássaros abatidos a tiro em pleno voo, que fechas os olhos e vês-te cair de uma escadaria de pedra gelada. São muitas forças a puxar-te para lados diferentes e para sítios que não existem, e às tantas a lua deixa de se ver, a noite encolhe e adormece, e o teu corpo é tudo o que resta, quieto, na dormência de saber que há uma possibilidade esmagadora de todas as suas ideias serem erradas. Depois de tantos livros, as linhas enliam-se umas nas outras, e os princípios das frases fundem-se com os pontos finais, e depois de tantas horas a estudar pensamentos, sabes menos do que quando eras uma criança pequena.
Mas estás cansada. Por isso voltas a deitar a cabeça na almofada. Voltas a fechar os olhos. Voltas a respirar fundo. Pedes por favor às estrelas que te deixem dormir. A escuridão beija todas as curvas do teu corpo. O silencio sopra-te poemas sobre o mar ao ouvido. Cobres a pele com os lençóis e o teu coração aquece. Estás em casa outra vez e és só uma menina pequena, e ninguém te pode fazer mal.»
Adoreiiii *_*
ResponderEliminarEstás bem?
ResponderEliminarAdorei, está forte!
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