2013/09/29

Lágrimas de baunilha


"Mas nessa noite, a menina que nunca chorava adormeceu por entre lágrimas. A incerteza de nada na sua vida ser certo, transbordou-lhe pelo olhar, e ao contrário do que esperava, soube-lhe bem, aliviou-lhe o pensamento. Ela sabia que assim que o sol raiasse pela manhã, tudo voltaria a fazer sentido, e ela lembrar-se-ia da verdadeira razão pela qual estava ali.
  Sabia-o, mas deixou-se estar. Afogou as mágoas de anos e anos de contenção na fronha da almofada, que cheirava a lavanda e baunilha e ficou a ouvir a sua cabeça latejar."

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