2013/09/05

A tempestade

 
Lembras-te do som das ondas a arranhar as rochas? E das nuvens, escuras como os meus olhos, que teimavam em chorar por cima das nossas cabeças?
Levei-te à praia em dia de tempestade. E tu sorrias, mas eu sei que tinhas medo. Porque nós não somos iguais, nunca fomos. Não há verões que cheguem para o fingir, nem areia em todas as praias do mundo suficiente para tapar o vazio que há em mim.
Vazio? Ultimamente tenho a alma cheia de tudo e de coisa nenhuma. Será amor? Saudade do que nunca tive?
Queria que visses, queria que soubesses, mesmo que não entendesses, o quão escura estou por dentro. Como o mar, mas não da forma como o veem. Amam o mar, sim, mas não da forma que ele é.
Amam-no azul e calmo, oh, mas deus sabe que ele não é assim.
Revolto, revolto como o meu pensamento, turvo, porque nada nele é claro.
«Quantas memórias achas que guarda?», perguntei-te.
Encolheste os ombros, nessa tua inocência infantil, que agora o que sei, me impede de invejar.
Anoiteceu, e tu foste embora. Foste embora, e eu nunca mais te vi. Como mais um barco que parte sem destino marcado, mas que volta para casa, nem que seja trazido pela morte.
Eu sabia que nunca mais te veria. Pena? Não. Eu não te amava. Eu não amava ninguém.
E sim, eu chorava, mas as lágrimas brotavam em mim como uma nascente de mágoa.
Por detrás dos meus olhos, vive um mar negro, um mar de amargura e trovoadas em vez de sal.
Porque eu sei, desde que nasci, que no dia em que o meu barco partir, é para nunca mais voltar.

(É este o texto que vos tinha falado. Foi escrito por mim, e gostava de saber a vossa opinião. Era muito importante c: )
 
 

11 comentários:

  1. ahah fico contente por não ser a única

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  2. R: já é uma tradição minha desde que me lembro que apanho amoras no verão

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  3. é por isso que tens de fazer com que o teu barco navegue o mais tempo possível!
    adorei o texto!

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  4. r: eu já não faço equitação, bem... desde pequenita ahah xD
    somos duas, adorava mesmo

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  5. Obrigada eu querida,pela força que me tens dado:)

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  6. Obrigada eu querida pela força que me tens dado

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  7. é tocante, bonito e verdadeiro. o mar nem sempre é azul, e eu que o vejo desde que nasci, sei disso tão bem. gostei muito do texto!

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