2013/08/22

Um desabafo



A T.? A T. era uma amiga.
Não foi uma amiga qualquer. No início, eu nem acreditava que tinha encontrado uma amiga tão parecida comigo. Os primeiros meses foram calmos e felizes. Eu julgava estar a viver uma amizade perfeita, sem fim à vista. Para ser totalmente sincera, no meu primeiro blog, ainda lá escrevi vários textos sobre isto. Já vos aconteceu, darem-se tão bem com alguém que parece impossível? Bem, foi assim durante muito tempo.
Ainda hoje não sei ao certo o que aconteceu. A verdade, é que eu nunca me permiti mesmo pensar sobre isto.
Não me digam que as pessoas não mudam, por favor. Como é que de um mar de rosas se passa para ... aquilo?
Acho que a primeira vez, a primeira vez foi quando eu lhe contei um segredo. Uma coisa que me atormentava, que eu já não aguentava guardar para mim. Estava-me a matar e eu sabia-o. Por isso contei-lhe. Contei-lhe porque confiava nela, mais do que em qualquer outra pessoa.
Quando tinha acabado de falar, as lágrimas escorriam-me pelos olhos e tinha o coração num aperto desesperado. Olhei para ela, e ela riu-se. Soltou uma gargalhada e depois disse «meu deus, Marii, que infantil e superficial! Não sabia que eras assim!»
Já alguma vez tiveram aquela sensação de que vos estão a espetar uma faca pelas costas, e um calafrio assustado percorre-vos a espinha?
Pois, foi isso. Oh, mas eu era tão fraca, que acreditei no que ela me disse. Chorei nas noites seguintes, porque ela fez-me acreditar que aquilo tinha sido tudo culpa minha. Se calhar era verdade, eu era infantil  e estúpida.
E então eu insisti na amizade. E foi a pior coisa que eu podia ter feito.
E pronto, os meses que se seguiram foram assim. Exclusão, gozo e humilhação, muita humilhação. Jogava joguinhos psicológicos comigo e dava-lhe um gozo tremendo, porque eu entrava neles e dizia-lhe coisas que mais ninguém tinha coragem para dizer. Mas era disso que ela gostava. De me ver perder as forças numa causa perdida.
Tudo se tornou um objecto de humilhação. O que eu sabia, o que eu não sabia, o que eu gostava, de quem eu não gostava. O que quer que fosse, a opinião dela era sempre a contrária a minha. E depois, passava semanas a troçar do que eu dizia.
Meu Deus, nem sei como é que aguentei durante tanto tempo. Um dia, tinha ido a minha casa estudar, e passou o resto da tarde a mandar-me bocas, que a minha casa era enorme e eu era rica e fingia que não para parecer bem no protocolo. Só mais tarde eu entendi que era inveja o seu mal, inveja e complexos.
Outra vez, disse-me que se estivéssemos na 2ª Guerra Mundial, eu iria para um campo de concentração mais depressa do que ela, porque ela era mais branca do que eu . Essa era outra das coisas. O racismo que ela cobria tão bem, o racismo, mesmo com pessoas da mesma raça do que ela (como eu).
E tudo isto, tudo isto foi-me destruindo por dentro, mas aos poucos, lentamente, porque tudo o que ela fazia para me magoar era muito bem camuflado.
Sei o que devem estar a pensar.« Meu Deus, que fraca! Porque é que não te afastaste dela logo no início? Se fosse comigo era diferente»
O problema aqui, é que durante todo este tempo, ela conseguiu fazer-me acreditar que eu era como ela. Ela arranjou forma de manipular os meus pensamentos até chegar ao ponto de eu quase me sentir culpada. Eu pensava que era má como ela, que aquela era a minha natureza. Que ela gozava comigo e eu gozava com ela e éramos assim.
Até que um dia, quando pus os pés na escola e disse-lhe. Disse tudo o que estava preso dentro de mim. Disse-lhe que não entendia como é que alguém podia ser assim. É que apesar de eu ser o seu principal alvo, não era a única. Como é que ela se sentia bem assim. Disse-lhe que estava farta, cansada de tudo,desde o primeiro dia.
E ela disse que nós dava-mo-nos bem porque no fundo éramos iguais e que eu estava a exagerar(mais uma vez).
Mas dessa vez, fui eu que sorri, lancei-lhe um olhar frio, daqueles que ela um dia me tinha dito que a incomodavam, porque nunca os conseguia decifrar, e fui-me embora.
Foi a última vez que falei com ela.

7 comentários:

  1. infelizmente passei exatamente pelo mesmo. Ainda por cima no secundário. Para muitos uma fase óptima,para mim não foi nem um pouco.
    A partir daí não acreditei mais em melhores amigos. O engraçado é que meses depois, tudo isso me tornou mais forte.
    Força tá?

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  2. Oh querida tens de conseguir dar a volta por cima, és bem mais forte do que imaginas!

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  3. Também já passei pelo mesmo, força!
    r: Quando foi a tvi a iniciar esse programa eu pensei "Va lá, é só este canal. Nos outros ainda dão filmes." Agora já são os três a fazer a mesma coisa, a originalidade e o talento acho que desaparecerem nestes programas.

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  4. É mesmo incrivel como as pessoas conseguem mudar... mas o pior de tudo é que acabamos por chegar à conclusão que essa pessoa já era assim desde o inicio.
    Já me aconteceu e eu sei que é horrivel. Mas por outro lado, ainda bem que aconteceu porque agora sei quem são aquelas pessoas que estão sempre ao meu lado (:
    Força, fizes-te o que estava certo!
    r: obrigada c: tambem gostei muito do teu blog, vou seguir ^^

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  5. Obrigado querida o teu comentario quase me fez chorar :') Gostaria que melhorassem,sinto-me esgotada e sinceramente não me sinto amada pelo meu pai acreditas? Passa semanas sem jantar conosco etc.
    Vou guardar o teu email sim senhora :) Mais uma vez obrigada!

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  6. por acaso eu nunca tinha pensado nada

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